"Aracy Cortes - A Rainha da Praça Tiradentes"

Na sinopse da peça, o autor do musical, Alexandre Guimarães, observa:

" Dizer que o Brasil é um país sem memória é lugar comum. O que me entristece é vermos grandes nomes de nossas artes e letras relegados ao quase completo esquecimento. São artistas que preparam terreno para o que nos é hoje cotidiano, diário. Canções, falares, gestos... Aracy Cortes foi a precursora de tudo que conhecemos como teatro musical brasileiro. Muito antes da invenção das 'Mass Media', era no palco do teatro de revista que se fazia a sátira, a crítica e se cantavam as marchinhas que ganhavam a rua na boca dos cariocas, formalizando sua brejeirice, sua malandragem branda, seu próprio modo de se comportar. E Aracy foi a rainha suprema de seu tempo, trazendo pela primeira vez ao palco o comportamento exato das ruas do Rio de Janeiro, maravilhando toda uma cidade que se via pela primeira vez refletida no corpo, na voz e na malícia dessa artista. Ela foi, durante décadas, a representante única, unânime de toda uma cidade, de todo um tempo. Temos muitos grandes nomes no panteão brasileiro das artes, mas apenas um pode ser apontado como nossa primeira grande estrela, a de brilho mais forte, tão forte que iluminou o caminho para muitas outras e tem, até hoje, imensa influência na arte musical carioca. Influência essa tão significativa que já pode ser considerada parte do inconsciente coletivo desse povo tão alegre, tão contagiante, tão único como foi Aracy Cortes, primeira estrela a brilhar forte e generosa sobre o céu da baía da Guanabara” .

 

A carioca Aracy Cortes (1904 - 1985) iniciou sua carreira artística aos 17 anos, cantando e dançando maxixes num circo da Praça da Bandeira, quando foi descoberta por Luiz Peixoto (produtor de grandiosas revistas musicais, entre elas "Joujoux e Balangandans", apresentada em grande gala no Teatro Municipal, em 1941, acontecimento social que ficou na história do Rio e do Brasil).

Atravessando o portal da fama, Aracy lançou, nos espetáculos teatrais da Praça Tiradentes, compositores que se tornaram célebres, Ary Barroso, Benedito Lacerda, Zé da Zilda e outros, ampliando também a popularidade de Sinhô, Noel Rosa, Lamartine Babo, Braguinha e muita gente mais. Foi ela, a lançadora em 1939, de "Aquarela do Brasil", na peça "Entra na Faixa", de Luís Iglésias e Ary Barroso, exibida no Teatro Recreio.

Aracy Cortes

Voltar para a página anterior